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11/11/2019 às 15h31 O âncora Você está aqui: Home / Piauí Imprimir postagem

O Movimento Estudantil na UFPI comemora 40 anos de DCE-Livre

A formação do DCE-UFPI é considerada um marco nos movimentos sociais e políticos de Teresina, já que constituído em um momento crucial, de declínio da ditadura militar e aceleração do processo de redemocratização

Ainda em 1979, plena DITADURA MILITAR, estudantes da Universidade Federal do Piauí aprovam os estatutos do Diretório Central dos Estudantes- DCE, apenas após seis meses depois da reconstrução da União Nacional dos Estudantes. A UNE foi proibida de funcionar durante os governos militares.

Os estudantes brasileiros estiveram presentes em momentos marcantes da História do Brasil, desde o processo de a “Independência do Brasil”, a “Abolição dos Escravos”, o movimento “Diretas Já! (1984)”, os “Movimentos pela Constituição Cidadã(1988)”, “Fora Collor” (1992) entre outros importantes momentos da vida do povo brasileiro

Um dos primeiros movimentos que contaram com participação dos estudantes brasileiros aconteceu em plena II Guerra Mundial. Em luta contra o nazi-fascismo, os estudantes pressionaram o então presidente Getúlio Vargas, pedindo posicionamento contra os regimes autoritários. As manifestações acabaram impulsionando o governo a declarar apoio aos Aliados na Grande Guerra Mundial.

Foto: Reprodução do google

Após a II Guerra, a União Nacional dos Estudantes (UNE) passou a se posicionar em relação aos principais assuntos nacionais. Foi protagonista na campanha "O Petróleo é Nosso", que queria garantir que empresas estrangeiras não tivessem permissão para explorar o recurso brasileiro. A luta culminou na criação da Petrobras.

No ano de 1961, após a renúncia do presidente Jânio Quadros, era natural que assumisse seu vice, João Goulart. Entretanto, a pressão política ameaçava a posse de Jango, o que gerou forte mobilização estudantil. No período, a UNE chegou a transferir temporariamente sua sede para Porto Alegre, onde tiveram participação importante na Campanha da Legalidade. Quando foi empossado, Jango se tornou o primeiro presidente a visitar a sede da UNE.

A participação dos estudantes também foi marcante durante as Diretas Já, em 1984. Após sofrerem severas represálias durante a ditadura militar, o movimento voltou às ruas, lutando pela democracia com manifestações nos principais comícios populares. 

Talvez o movimento mais emblemático dos estudantes brasileiros tenha sido a campanha "Fora Collor", que conseguiu derrubar o presidente da República. Os jovens de caras pintadas foram protagonistas em mobilizações por todo o país.

A Avenida Frei Serafim ficou tomada por estudantes universitários e secundaristas e durante a contagem dos votos pelo impeachment uma multidão de estudantes se concentrou nas proximidade da igreja de São Benedito.

A partir dos anos 2000, o movimento estudantil avançou em suas reivindicações para a educação. Conseguiram, em 2003, o fim do Provão, exame que era aplicado aos estudantes do ensino superior. Em 2004, após caravanas realizadas por todo o país, conseguiram a criação do ProUni, programa do governo federal que garante bolsas em universidades particulares para estudantes de baixa renda.

Em 2010, os estudantes conseguiram a aprovação da PEC da Juventude no Congresso Nacional, abrindo espaço para a proposição de políticas voltadas exclusivamente para jovens.

Em 2014, o movimento estudantil conquistou a aprovação do Plano Nacional de Educação, que garante 10% do PIB para o setor. Também conseguiram que 75% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal fossem destinados para a educação.

Em dezembro de 2015, estudantes de São Paulo conseguiram suspender a reorganização escolar proposta pelo governador Geraldo Alckmin. A medida, que visa à divisão dos estudantes por faixa etária, prevê o fechamento de mais 90 escolas no estado. Os alunos, em protesto, ocuparam as escolas e organizaram manifestações nas ruas. Além de conseguirem fazer o governo suspender a medida para 2016, derrubaram o secretário de educação Herman Voorwald. 

Foto: MJ

“Queremos assinalar a importância do DCE nas lutas populares em geral e particularmente nos embates dentro da UFPi, na defesa da Universidade Pública e democrática”, disse Messias Júnior. Segundo ele, a comemoração contará com eventos diversos, desde palestras a programação artística. “Queremos reunir uma boa parte dessas pessoas que foram protagonistas nessas lutas que levaram o país para a democracia”, frisou

Em artigo publicado em 1979, o sociólogo Bresser Pereira analisando os componentes e condições da retomada do movimento estudantil naquele fim de década, afirmou que a "revolução dos estudantes é sem dúvida uma revolução utópica. Não apenas porque quer transformar o mundo de forma generosa, mas também porque corre muitos riscos de desvios e de contrarrevolução.

Em 1978 já como fruto de alguma pressão sobre a reitoria, ocorreu a primeira eleição direta para o DCE.

Em princípios do mês de abril, falece por acidente automobilístico um dos principais batalhador pelas diretas, Emanuel Pedro Barros Liarth, então presidente do D5-CCHL e candidato declarado a presidente do DCE que não passava, contudo, de uma ficção. Por ironia, o então reitor anunciou que liberaria a eleição direta em homenagem ao morto.

A presença de um exilado político do quilate de Darcy Ribeiro, ex-ministro de João Goulart e fundação da Universidade de Brasília, a quem os conservadores devotam (avam) um ódio incomum, era para os estudantes daquela geração algo deslumbrante, emocionante até, algo impensável pelos universitários de hoje.

Foi de fato a primeira personalidade que proclamou, à guisa de libelo, a condenação pública do regime militar no seio da UFPI, no seu Auditório Central. O SNI e a PF quase enlouqueceram, para não falar nas autoridades universitárias que até as luzes do campus mandaram apagar na hora da palestra. Não adiantou. A possibilidade de ouvir o exilado à luz de velas, já que ele assim se dispôs a fazê-lo, aumentou a emoção e tornou mais significativo aquele ato.

Na esteira desses eventos, especialmente a partir da visita à UFPI logo no início de 79 de um dirigente do ME baiano, o Piauí conseguiria  estabelecer laços com o ME nacional o que, somado à vitória da “Travessia” para a direção do DCE e de quase todos os DS's em maio, constituiria grande avanço na luta por uma organização autônoma e atuação mais livre e engajada das entidades estudantis. Mas o processo eleitoral ainda houvera se dado na modalidade imposta pelo espírito do Decreto-Lei 228. E foi exatamente por esse caráter de pleito organizado pela burocracia universitária, que essas eleições foram gravadas por um episódio marcante: em reunião do Conselho de Ensino e Pesquisa (CEPEX) poucas horas antes do início da votação, em sessão monitorada pelo então presidente AREN no Piauí (Freitas Neto), foi impugnada a candidatura presidencial da “Travessia” para o DCE, com base no artigo 6 do 228, pelo qual era vedada a candidatura de aluno “repetente” ou dependente".

Em novembro, exatamente dia 7, uma assembleia geral refundava o DCE, a partir daí uma entidade livre, calcada em estatuto político amplamente discutido pelo conjunto dos estudantes.

O DCE oficial, que até presidente nomeado pelo reitor tivera, já havia se tornado uma página virada: tínhamos o DCE livre, filiado a uma UNE também livre. E não somente livre a UNE estava. Era de quebra dirigida pelo "único presidente na República diretamente eleito em todo o território nacional".

Em maio de 1980 "TRAVESSIA" dá ao DCE sua primeira direção eleita à revelia das autoridades universitárias. Em pleito livremente organizado segundo a dinâmica do ME e na forma dos estatutos de 7 de novembro de 1979.

Por volta de 1984 decerto o DCE já vivera sua ascensão, apogeu e está lutando, com uma mulher a presidir-lhe pela primeira vez, Marlúcia Valéria, para construir uma nova legitimidade.

O Movimento Estudantil na UFPI contribui para a formação política e na construção de cidadãos críticos e capazes de sacrificarem seus próprios interesses particulares para defenderem as causas coletivas em busca da construção de uma universidade pública de qualidade e democrática e podemos identificar alguns que tiveram frente do DCE-UFPI: Fonseca Neto, Malúcia Valéria, Marquinhos Lopes, Kleber Montezuma, Fonseca Neto, Masilene Rocha Airton Alves, Osmar Júnior, Sá Batista, Gilberto Ferreira, Paulo de Tarso Morais, Gaudêncio Leal, Helbert Maciel, Eugênia Medeiros, Luís Washington, Guiomar Passos, Merlong, Itajaí, Sirley, Marcília, Socorro Lira, Wellington Soares, João de Deus Sousa, Marcelino, Ana Emília, Luiz Paulista, Modesto Paulino, Flora Isabel, Santana, Achylles, Marcos Victor, Lujan, Renaud, Tetê, João Claudio, Lawrence Raulino, Fernanda, Urias, Gonçalo Carvalho, Genésio Júnior, Itapoan, Elzimeire, Hildenilson, Flávio André, Alberico, Rêmulo, Júnior do MP3, Damião Breve, Ferdinan Pinto, Evaldo Gomes, Etevaldo, Daniel Solon, Messias Júnior, Júlio Cesar Holanda, Rogaciano Veloso, José Maria Freitas, Ferdinan Bezerra, Cássio Borges   e tantos, tantos outros, quem sabe até melhores que estes que contribuíram para o movimento estudantil da UFPI.

O DCE LIVRE NA UFPI protagonizou lutas gerais e especificas através dos grupos de estudantes de cada chapas em cada momentos destes 40 anos que formaram as trincheiras em defesa da UFPI

Em 2019 além da comemoração dos 40 anos do DCE-Livre na UFPI, também se comemora os 25 anos da gestão “Falar é Pouco para Quem quer Mais” (94/95) que foi presidida pelo então estudante de Ciências Sociais, Messias Júnior.

Messias Júnior Afirma “Além dos 40 anos de DCE LIVRE NA UFPI tem como objetivo além da comemoração e resgate histórico, permitir também que os atuais estudantes, possam desenvolver um conhecimento prático do Movimento Estudantil e despertando o sentimento de defesa e preservação da Universidade Publica Gratuita e de um país democrático e inclusivo socialmente.”

" O Movimento Estudantil e em especial o DCE-UFPI foi minha grande escola política, foi onde ensaiei os meus primeiros passos como cidadão ativo politicamente" afirmou José Maria Freitas, presidente na Gestão " SAUDAÇÕES A QUEM TEM CORAGEM" ( 1995/1996)

O Movimento Estudantil continua vivo no coração e na vida de todos aqueles que em algum momento participaram das lutas e defenderam bandeiras em defesa de um páis mais democrático e justo.

Programação 

.DIA 12 de novembro (Terça feira): Sessão Especial na Câmara Municipal de Teresina em homenagem aos 40 anos de DCE LIVRE NA UFPI

DIA  15 de novembro (Sexta feira): Confraternização do DCE-Livre da UFPI com participação de artistas piauiense que passaram pelas QUINTAS CULTURAIS da década de 80 e 90.

LOCAL: Clube da ADUFPI.

Organização: Gestão:" FALAR É POUCO PRA QUEM QUER MAIS (94/95) "

40 anos de DCE LIVRE na UFPI

Todos são convidados!

         

 

Redação O ÂNCORA

 


 


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